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terça-feira, 1 de abril de 2014

Secretário de Cultura de Santo André Raimundo Salles abre debate sobre 50 anos do golpe de 1964




O Teatro Municipal de Santo André recebeu nesta segunda-feira(31), ilustres convidados para debater o golpe de 1964. O secretário de Cultura Raimundo Salles recebeu o escritor Fernando Morais e o teatrólogo José Celso Martinez que debateram o período da ditadura militar. A mediação ficou por conta do jornalista Ademir Medici. O evento contou com a presença de mais de 700 pessoas no Teatro Municipal de Santo André e teve a participação, como debatedores, diversas personalidades que vivenciaram esse período de repressão. Entre os debatedores encontravam-se os Padres Maon e Rubens, o ex-deputado Djalma Bom, o professor Alexandre Takara, o secretário de Finanças Granado, o pró-reitor da Universidade Federal do ABC Prof. Dr. Daniel Pansarelli, e o ex-preso político Olivier Negri.

Os convidados têm historias que foram relatadas no evento, José Celso Martines Corrêa é uma das figuras mais importantes ligadas ao teatro brasileiro. Destacou-se como um dos principais diretores, atores, dramaturgos e encenadores do Brasil. Seu trabalho, encarado às vezes como orgiástico e antropofágico, iniciou-se no fim da década de 1950, e se definiu na década de 1960 quando Zé Celso liderou a importante Teatro Oficina − grupo amador formado quando integrava a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo − onde apresentava sua inquietude e irreverência, realizando trabalhos de caráter inovador. Nessa época, destacam-se as encenações de Pequenos Burgueses (1963) − peça que enfoca a Rússia às vésperas de sua Revolução e evidencia numerosos pontos de contato com a realidade nacional anterior ao golpe militar de 1964 −, O Rei da Vela (1967), de Oswald de Andrade − espetáculo-manifesto tornado emblema do movimento tropicalista − e Na Selva das Cidades (1969), obra de Bertolt Brecht que trata da profunda crise que atravessava o país e a equipe artística. Pequenos Burgueses, embora suspenso em abril de 1964 por autoridades militares que acabavam de tomar o poder, rendeu a José Celso todos os prêmios de melhor direção do ano e as críticas colocaram a produção como a mais perfeita encenação stanislavskiana do teatro brasileiro; a apresentação retornou aos palcos no mês seguinte. Interessado em eventos culturais, artísticos e políticos, Zé Celso atualmente (aos 76 anos) se intercala entre o cinema e o teatro, dirige e atua em inúmeras peças teatrais, ainda comandando o Teatro Oficina, mesmo depois de cinquenta anos.

Fernando Morais Começou no jornalismo aos quinze anos. Em 1961, trabalhava como office boy na pequena revista de um banco em Belo Horizonte, quando teve que cobrir a ausência do único jornalista da publicação numa entrevista coletiva. Mudou-se para São Paulo aos dezoito anos e trabalhou nas redações de Veja , Jornal da Tarde, Folha de São Paulo, TV Cultura e portal IG. Recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril. Na área política, foi deputado estadual durante oito anos e Secretário de Cultura (1988-1991) e de Educação (1991-1993) do Estado de São Paulo, nos governos Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury Filho. Seu primeiro sucesso editorial foi A Ilha (Livro), relato de uma viagem a Cuba. A partir daí, abandonou a rotina das redações para se dedicar à literatura. Pesquisador dedicado e exímio no tratamento de textos publicou biografias e reportagens que venderam mais de dois milhões de exemplares no Brasil e em outros países, tornando-se um dos escritores brasileiros mais lidos de todos os tempos.

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